quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Enquanto você chora no banheiro,
o tempo lhe consome.
É hora de fazer planos, pagar impostos, guardar recibos, lembrar de fazer...

Pelo ralo você desliza os sorrisos que foram nossos, minha música, seus saltos, meu perfil ... enquanto eu tenho fome, sinto sede, preciso dormir.

Você sempre tão excessiva, exagerada, deprimida... eu, nunca interessado.

Escreva, dance, ria e assim, me deite em paz.

Só o texto vinga.

Para ninguém

Hoje pode-se escrever na areia, mandar mensagens em garrafas através do oceano, pombos-correios errantes, e-mails, cartas imediatas... sem perfume.
Pode-se escancarar a alma, derrubar paredes, jorrar poesia em liberdade... sem tocar ninguém.
Sem privacidade, sem censura, sem que ninguém se incomode... nem se importe.

Hoje

Às vezes é tão vazia
a vida
adulta.

o corredor sem brinquedos,
na casa
tardia.

Natal sem magia,
surpresa,
segredos…


e os desejos continuam,
tantos.

 
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