
Maravilhoso lançamento da Cosac Naify, o primeiro volume da coleção "O Romance", organizada por Franco Moretti. Formada por 5 volumes (1- A cultura do romance; 2- As formas; 3- História e geografia; 4- Temas, lugares, heróis; 5- Lições), a coleção reúne ensaios, análises e críticas escritas por grandes nomes. Terminei de ler o belíssimo primeiro ensaio do volume 1, "É possível pensar o mundo moderno sem o romance?", do Vargas Llosa e recomendo. Espero que a Cosac lance os outros 4 volumes em breve.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
O Romance
Postado por
Andrea
às
19:18
0
comentários
Marcadores: Dicas de leitura
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Há vozes que não calam, nem falam
Mais.
Exprimem ecos, secos e sós.
Há dias que não sinto na minha própria voz os ecos da sua, da nossa
Voz.
Postado por
Andrea
às
18:39
1 comentários
domingo, 26 de julho de 2009
Sobre televisão
"Capitu" e "Som & Fúria" foram as melhores minisséries que assisti na TV pública nos últimos anos. Em ambas, a estética teatral dá o tom de originalidade às produções, fazendo com que o olhar cansado do telespectador desperte para novas cores, uma outra profundidade e ângulos não tão óbvios. Flashes de realidade fantástica sacudindo as narrativas domesticadas da linguagem televisiva.
Em relação à "Capitu", que conseguiu manter-se rigorosamente fiel ao texto machadiano, revelando o quão atual essa literatura se mantém diante da percepção fragmentada da pós-modernidade, me chamou atenção a idiotice com que certos "críticos" a avaliaram. Diogo Mainardi foi um dos que usou um espaço privilegiado na mídia, uma página na Veja, para acusar a minissérie de desvirtuar a obra machadiana, de violar Machado de Assis e Dom Casmurro, como se autor e obra fossem mitos sagrados e, portanto, não passíveis de leituras profanas. Para mim, ao contrário do que pensa Mainardi, uma obra importante, seja a de Shakespeare, a de Machado, ou a de Ana Cristina César, deve ser lida e relida sob formas e olhares novos, contraditórios, questionadores, em qualquer tempo. Nada de congelar textos e olhar para eles como símbolos do passado. A obra só se mantém viva pelo olhar do leitor ou, do telespectador, do internauta, de quem quer que possa ter acesso a ela pelas mais diversas formas.
"Som & Fúria" fez algo semelhante com Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta. Não os tirou dos grandes palcos, não os deixou menores, apenas trouxe fragmentos de Shakespeare para as telinhas caseiras (e com grande sensibilidade artística e técnica).
Torço para que produções como essas, nas quais a grande literatura pode chegar a um vasto público, sejam cada vez mais frequentes na TV pública brasileira.
Postado por
Andrea
às
20:59
3
comentários
Escrevi, dias e dias, uma história pra você. Pintei fadas, toquei sinos, perfumei cartas de papel marfim.
Tudo estava lindamente certo. Eram sonhos cinematograficamente enredados, cenas perfeitas, ângulos de esteta. A trilha, clinicamente composta, fazia as vezes de vozes harmônicas, sibilantes confessas de um amor inefável.
Já era noite quando coloquei o ponto final ao happy end.
Na manhã seguinte, sobraram meias palavras e um restinho de verdade entre os recicláveis.
Andrea
27/07/2009
Postado por
Andrea
às
20:27
0
comentários
domingo, 19 de julho de 2009
Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
Serguei Iessiênin (1925)
(Tradução de Augusto de Campos)
In: Maiakóvski: poemas. Org. Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos. Ed. Perspectiva
Postado por
Andrea
às
15:03
2
comentários
sexta-feira, 17 de julho de 2009
До свиданья, друг мой, до свиданья.
Милый мой, ты у меня в груди.
Предназначенное расставанье
Обешает встречу впереди.
До свиданья, друг мой, без руки и слова,
Не грусти и не печаль бровей, -
В этой жизни умирать не ново,
Но и жить, конечно, не новей.
Сергей Александрович Есенин (1895-1925)
Postado por
Andrea
às
12:30
0
comentários
domingo, 12 de julho de 2009
Dostoiévski
Estou lendo Os Irmãos Karamázov, traduzido pelo Paulo Bezerra para a Editora 34. Até agora (terminei ontem a primeira parte), me parece o romance mais explicitamente religioso de Dostoiévski - não chega a ser panfletário dos ideais cristãos, mas em comparação ao Príncipe Míchkin, de O Idiota, Aliocha expressa e assume esses valores de forma oficializada, já que ele mesmo se retira para o mosteiro.
São primeiras impressões, ainda tenho muito pra saborear do romance.
Postado por
Andrea
às
14:58
0
comentários
Marcadores: Dicas de leitura
sábado, 11 de julho de 2009
O Amante
Acabei de ler "O amante", de Marguerite Duras, da coleção Mulheres Modernistas lançada pela Cosac&Naif (um achado em promoção na Siciliano, por 19,90!)
É daqueles romances que já na primeira frase te puxa pra dentro de um universo narrado, poético, velado, estranho. Aliás, estranhamento é uma constante num texto cheio no qual nada é estável ou coerente. Sobre essa peculiaridade da escrita durasiana, o posfácio de Leyla Perrone-Moisés é bastante esclarecedora e enriquece muito a edição da Cosac&Naif. Recomendo!
Postado por
Andrea
às
11:32
0
comentários
Marcadores: Dicas de leitura
terça-feira, 31 de março de 2009
Reflexos do medo na modernidade: uma leitura de "O espelho" (1882) de Machado de Assis
Este artigo propõe uma leitura das formas de representação de questões próprias da modernidade - a fragmentação da auto-imagem do indivíduo; a fragilidade das relações humanas baseadas nas relações de produção; o medo diante das estruturas econômicas e sociais em constante transformação - presentes no conto “O espelho” (1882), de Machado de Assis, com base nos conceitos adotados por Franco Moretti no ensaio A dialética do
medo (2007).
Esse é o resumo do artigo que escrevi para o número 4 da Miscelânea - revista de Pós-graduação em Letras da Unesp de Assis. Fica o convite para a leitura do artigo completo no site da revista, basta clicar no título deste post.
Postado por
Andrea
às
08:06
4
comentários
Marcadores: Artigo
quinta-feira, 26 de março de 2009
Colóquio Luiz Dantas
De 13 a 15 de abril, acontece no IEL, da UNICAMP, o "Colóquio Luiz Dantas", com uma programação muito legal:
13 DE ABRIL
9h30 Abertura: João Sayad – Secretário de Cultura do Estado de São Paulo; USP
10h (Coordenador: Jorge Coli - UNICAMP)
René Girard: Mímesis, desejo, mediação– Miriam Gárate (UNICAMP)
Camus e as pedras: utopia e hospitalidade – Olgária Matos (USP)
Questões morais do Gabinete Negro de Max Jacob – Pablo Simpson (USP)
12h-14h – Intervalo
14h (Coordenadora: Jeanne Marie Gagnebin - UNICAMP)
Auguste de Saint-Hilaire: descrição da natureza/natureza da descrição – Eduardo Vieira Martins (USP)
A cena naturalista: Aluísio Azevedo e O cortiço – Orna Levin (UNICAMP)
Moda, teatro e nacionalismo nas crônicas da Revista Popular (1859-1862) – Marcella dos Santos Abreu (UNICAMP)
16h-16h30 – Intervalo
16h30 (Coordenador: Francisco Foot Hardman - UNICAMP) Apresentação e exibição de O Iluminado de Stanley Kubrick – Maria Sylvia Carvalho Franco (UNICAMP) e Roberto Romano (UNICAMP)
Sob o choque de Kubrick – Carta de Luiz Dantas a Jorge Coli
14 DE ABRIL
9h30 (Coordenadora: Suzi Sperber - UNICAMP)
Júlio Verne (para Luiz Dantas) – Telê Ancona Lopez (IEB)
Monteiro Lobato, viajante – Marisa Lajolo (UNICAMP; Mackenzie; Secretaria de Educação de Atibaia)
A viagem de Mozart a Praga: o gênio criador em perspectiva nostálgica – Mario Luiz Frungillo (UNICAMP)
12h-14h – Intervalo
14h (Coordenador: Eduardo Vieira Martins - USP)
História e dúvida em Dom Casmurro – Sidney Chalhoub (UNICAMP)
“Falo das linhas vistas”: adivinhação e jura no Memorial de Aires – Pedro Meira Monteiro (Princeton University)
O simbolismo do vestuário em Machado de Assis – Susana Coutinho de Souza (UNICAMP)
16h-16h30 – Intervalo
16h30 (Coordenador: Pedro Meira Monteiro - Princeton University)
Les Années de Annie Ernaux (Uma nova forma de autobiografia) – Sandra Nitrini (USP)
Roger Bastide no Mercure de France e na revista Anhembi – Glória Carneiro do Amaral (USP)
Émile Zola em Lourdes e em J’accuse: o entender de um homem do século XIX – Milene Suzano (UNICAMP)
15 DE ABRIL
9h30 (Coordenador: Jorge Coli - UNICAMP)
A intertextualidade na primeira poesia de Roberto Piva – Marcelo “Beso” Veronese (UNICAMP)
Entre brumas e chuvas: tradução e influência literária – Ricardo Meirelles (USP)
Luiz Dantas na Remate de Males – Vilma Arêas (UNICAMP)
De luas e aeroportos: Uma despedida – Luiza Moreira (State University of New York, Binghamton)
12h-14h – Intervalo
14h (Coordenadora: Betânia Amoroso - UNICAMP)
Afrodites cariocas – Paula Macário (UNICAMP)
Herança e loucura em Machado de Assis – Flavia Trocoli (Unianchieta, Outrarte/UNICAMP)
Murilo Mendes e Lídia Baís, heterodoxos na costa leste (1929) – Alda Maria Quadros do Couto (UFMS)
Correspondência de Ronald de Carvalho a Mário de Andrade – Mirhiane Mendes de Abreu (UNICAMP)
16h (Coordenadora: Miriam Gárate - UNICAMP)
Uma tese de Sergio Buarque que nosso Luis não conheceu - Edgard Dedecca (UNICAMP)
Intertextualidades entre Fotografia e Literatura - Fernando de Tacca (UNICAMP)
Cartões postais oitocentistas – Yara Lis Schiavinatto (UNICAMP)
Mme. Bovary em versões para o cinema – Jorge Coli (UNICAMP)
A força da imagem em Citizen Kane – Suzi Sperber (UNICAMP)
Encerramento: Jacques Bonnet
O Colóquio é aberto a estudantes, docentes e público em geral. Serão fornecidos certificados mediante inscrição formal no evento. Período de inscrição: de 20/3 a 06/4/2009, na Secretaria de Eventos do IEL ou através do e-mail: eventos@iel.unicamp.br
Postado por
Andrea
às
17:51
0
comentários
Marcadores: Literatura - eventos
quarta-feira, 25 de março de 2009
De volta!
Estou feliz por estar de volta à ativa, depois de um longo período offline. Voltei a me sentir dona do meu tempo, depois de muitos anos, o que tem me aberto novas possibilidades, mas, também, muitas incertezas. A partir de agora, espero estar mais presente no blog e nos meus novos projetos.
Beijos!
Postado por
Andrea
às
15:17
4
comentários
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Sou da geração Legião Urbana. Foi a trilha da minha adolescência, juventude, primeiros amores. Mas há muito tempo não parava pra ouvir, já não tinha mais os discos… discos, sim, eu os tinha em vinil! Até que ontem, nem sei por quê, me lembrei de um trecho de “Vinte e nove”, uma das minhas favoritas, e reconheci o quanto eu ainda gosto do Legião, como letras e arranjos são incríveis, até hoje. Deu saudade de Renato Russo, vontade de gritar pra ele “Será que você vai saber o quanto penso em você, com o meu coração?”
Hoje, na hora do almoço, passei nas Americanas e decidi recomeçar minha coleção Legião Urbana, dessa vez em Cds. Comprei o “Dois” e ganhei “O Descobrimento do Brasil” do Edo, que estou ouvindo agora, depois de muitos anos. Engraçado, parece que isso me faz me sentir mais eu.
Postado por
Andrea
às
11:22
2
comentários
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Evolucionismo
No aniversário de Darwin, estou comemorando a publicação da edição, em português, de um de seus mais belos textos: “A expressão das emoções no homem e nos animais”. O lançamento, pela divisão “pocket” da Companhia das Letras, está previsto para 19 de fevereiro. Já encomendei o meu e recomendo.
Postado por
Andrea
às
08:20
4
comentários
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
у меня есть
Ontem aprendi que, na língua russa, não existe o verbo ter. Não há como dizer literalmente, em russo, que eu tenho alguma coisa. É preciso aplicar uma estrutura frasal para expressar posse, algo que poderia ser traduzido como "Por mim, tal coisa existe".
Isso me faz pensar nas minhas próprias relações de posse, no que julgo ter mas sei bem que não sou dona, senhora, de nada nem ninguém. As coisas que amo e das quais eu cuido existem, por meus cuidados, por meu amor, por minha necessidade delas para viver, para ser feliz ou, simplesmente, para sobreviver.
Nessa relação, a "posse" deixa de ser unilateral e soberana. O que "existe por mim" é tão meu quanto sou dele, à medida que nossas existências se revelam, na expressão russa, como interdependentes.
Grata ao idioma e ao povo russo, pela inspiração à reflexão, espero não me esquecer mais desse conceito e que ele continue "existindo por mim".
Postado por
Andrea
às
05:03
7
comentários
Marcadores: Língua russa
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Capitu, Piaf, Maysa...
Acompanhei a minissérie "Maysa - quando fala o coração" na Globo, com frequência mais assídua do que consegui manter em relação à "Capitu" - aliás, dos poucos capítulos que vi, achei a estética incrível e a narrativa, fragmentada como tanto o texto machadiano quanto a pós-modernidade exigem, muito bem conduzida.
Mas voltando ao revival de Maysa - que para mim surte quase o mesmo efeito de uma estréia, já que ela morreu em 1977, quando eu tinha cerca de 7 anos -, sem entrar na questão do mérito histórico ou artístico da série, o resgate dessa artista fascinante tem me trazido momentos de muito prazer. Ontem, assistindo na TV Cultura à reprise do programa "Ensaio", gravado em 1975, com Maysa, fiquei encantada com tanto carisma, tanta vida e sensibilidade na fala, no gestual, na interpretação completa dela.
É engraçado, porque eu gosto de Edith Piaf há muitos anos, acho que desde os meus vinte... tenho poucos mas bons CDs dela, adorei o filme "Piaf - Um hino ao amor", mas nunca, antes da minissérie global, tinha tido qualquer interesse por Maysa. A imagem dela, o nome, o pouco que eu sabia dela estava ligado aos meus pais, que devem ter comentado sobre ela uma ou duas vezes, minha mãe cantando um trechinho de "Meu mundo caiu"... só. Mas agora, que descobri Maysa tão tardiamente, quis registrar aqui a minha prévia ignorância e meu atual interesse em conhecer melhor a música brasileira, não teoricamente, mas na trilha do meu dia-a-dia.
Postado por
Andrea
às
08:52
1 comentários
Marcadores: música
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Prêmio Dardos

Oba! Meu blog foi indicado pela querida amiga e escritora incrível Vera Helena, do Palimpsesto, para receber o Prêmio Dardos. Copiei do blog da Vera, que copiou do blog que a indicou, a bula do prêmio. Aí vai:
Informações ao usuário:
"Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."
Modo de usar:
"O prêmio possui três regras:
1- aceitar exibir a imagem.
2- Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3- Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos"
Postado por
Andrea
às
09:19
2
comentários
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Pela paz

O ataque de Israel a Gaza já provocou mais de 800 vítimas fatais, entre elas cerca de 200 crianças. Mas no próprio território de Israel, surge uma nova esperança, representada pelos "shminits", jovens estudantes israelenses, entre 16 e 19 anos, que se recusam a entrar para o exército de Israel e tomar parte desse massacre.
Esses jovens, neste momento, estão sendo presos e tendo que enfrentar uma enorme pressão de suas famílias, amigos e do governo de seu país. Se você puder assinar a petição que está sendo enviada por eles ao Ministro da Defesa de Israel, dando o seu apoio à causa da paz e pedindo a libertação dos "shminits", por favor, faça isso agora. Em nome da paz e de um mundo melhor para todos: http://december18th.org/
Postado por
Andrea
às
09:39
2
comentários