"Capitu" e "Som & Fúria" foram as melhores minisséries que assisti na TV pública nos últimos anos. Em ambas, a estética teatral dá o tom de originalidade às produções, fazendo com que o olhar cansado do telespectador desperte para novas cores, uma outra profundidade e ângulos não tão óbvios. Flashes de realidade fantástica sacudindo as narrativas domesticadas da linguagem televisiva.
Em relação à "Capitu", que conseguiu manter-se rigorosamente fiel ao texto machadiano, revelando o quão atual essa literatura se mantém diante da percepção fragmentada da pós-modernidade, me chamou atenção a idiotice com que certos "críticos" a avaliaram. Diogo Mainardi foi um dos que usou um espaço privilegiado na mídia, uma página na Veja, para acusar a minissérie de desvirtuar a obra machadiana, de violar Machado de Assis e Dom Casmurro, como se autor e obra fossem mitos sagrados e, portanto, não passíveis de leituras profanas. Para mim, ao contrário do que pensa Mainardi, uma obra importante, seja a de Shakespeare, a de Machado, ou a de Ana Cristina César, deve ser lida e relida sob formas e olhares novos, contraditórios, questionadores, em qualquer tempo. Nada de congelar textos e olhar para eles como símbolos do passado. A obra só se mantém viva pelo olhar do leitor ou, do telespectador, do internauta, de quem quer que possa ter acesso a ela pelas mais diversas formas.
"Som & Fúria" fez algo semelhante com Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta. Não os tirou dos grandes palcos, não os deixou menores, apenas trouxe fragmentos de Shakespeare para as telinhas caseiras (e com grande sensibilidade artística e técnica).
Torço para que produções como essas, nas quais a grande literatura pode chegar a um vasto público, sejam cada vez mais frequentes na TV pública brasileira.
domingo, 26 de julho de 2009
Sobre televisão
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Andrea
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Escrevi, dias e dias, uma história pra você. Pintei fadas, toquei sinos, perfumei cartas de papel marfim.
Tudo estava lindamente certo. Eram sonhos cinematograficamente enredados, cenas perfeitas, ângulos de esteta. A trilha, clinicamente composta, fazia as vezes de vozes harmônicas, sibilantes confessas de um amor inefável.
Já era noite quando coloquei o ponto final ao happy end.
Na manhã seguinte, sobraram meias palavras e um restinho de verdade entre os recicláveis.
Andrea
27/07/2009
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20:27
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domingo, 19 de julho de 2009
Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
Serguei Iessiênin (1925)
(Tradução de Augusto de Campos)
In: Maiakóvski: poemas. Org. Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos. Ed. Perspectiva
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Andrea
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15:03
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
До свиданья, друг мой, до свиданья.
Милый мой, ты у меня в груди.
Предназначенное расставанье
Обешает встречу впереди.
До свиданья, друг мой, без руки и слова,
Не грусти и не печаль бровей, -
В этой жизни умирать не ново,
Но и жить, конечно, не новей.
Сергей Александрович Есенин (1895-1925)
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Andrea
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12:30
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domingo, 12 de julho de 2009
Dostoiévski
Estou lendo Os Irmãos Karamázov, traduzido pelo Paulo Bezerra para a Editora 34. Até agora (terminei ontem a primeira parte), me parece o romance mais explicitamente religioso de Dostoiévski - não chega a ser panfletário dos ideais cristãos, mas em comparação ao Príncipe Míchkin, de O Idiota, Aliocha expressa e assume esses valores de forma oficializada, já que ele mesmo se retira para o mosteiro.
São primeiras impressões, ainda tenho muito pra saborear do romance.
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Andrea
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14:58
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sábado, 11 de julho de 2009
O Amante
Acabei de ler "O amante", de Marguerite Duras, da coleção Mulheres Modernistas lançada pela Cosac&Naif (um achado em promoção na Siciliano, por 19,90!)
É daqueles romances que já na primeira frase te puxa pra dentro de um universo narrado, poético, velado, estranho. Aliás, estranhamento é uma constante num texto cheio no qual nada é estável ou coerente. Sobre essa peculiaridade da escrita durasiana, o posfácio de Leyla Perrone-Moisés é bastante esclarecedora e enriquece muito a edição da Cosac&Naif. Recomendo!
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Andrea
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11:32
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