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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O poeta anda-olha
O poeta, olha-anda...
Olha:
Poetanda.

10/10/2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Antologia VI Prêmio Literário Livraria Asabeça

Acabei de receber a Antologia VI Prêmio Literário Livraria Asabeça 2007, na qual foi publicado meu poema "Idade", que já postei aqui no blog. É a primeira vez que vejo uma poesia minha impressa em livro e essa experiência está sendo muito especial para mim. Gostaria de agradecer à Editora Scortecci, responsável pela publicação, e à comissão julgadora, pela alegria que me deram.

sábado, 31 de maio de 2008

Ana Cristina Cesar

Nesta madrugada, início de domingo, lendo Ana Cristina Cesar, me sinto acompanhada e saudosa, de quem não pude conhecer.

Samba-canção.

Tantos poemas que perdi.
tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone - taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

Ana Cristina Cesar

CESAR, Ana Cristina. A teus pés: prosa/poesia. São Paulo: Ática, 1999.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma lição de poesia, por Manoel de Barros

A DISFUNÇÃO

"Se diz que há na cabeça dos poetas um parafuso de
a menos
Sendo que o mais justo seria o de ter um parafuso trocado do que a menos.
A troca de parafusos provoca nos poetas uma certa disfunção lírica.
Nomearei abaixo 7 sintomas dessa disfunção lírica.
1- Aceitação da inércia para dar movimento às palavras.
2- Vocação para explorar os mistérios irracionais.
3- Percepção de contiguidades anômalas entre verbos e substantivos.
4- Gostar de fazer casamentos incestuosos entre palavras.
5- Amor por seres desimportantes tanto como pelas coisas desimportantes.
6- Mania de dar formato de canto às asperezas de uma pedra.
7- Mania de comparecer aos próprios desencontros.
Essas disfunções líricas acabam por dar mais importância aos passarinhos do que aos senadores."

BARROS, Manoel de. Tratado geral das grandezas do ínfimo. Rio de Janeiro: Record, 2001.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Para ninguém

Hoje pode-se escrever na areia, mandar mensagens em garrafas através do oceano, pombos-correios errantes, e-mails, cartas imediatas... sem perfume.
Pode-se escancarar a alma, derrubar paredes, jorrar poesia em liberdade... sem tocar ninguém.
Sem privacidade, sem censura, sem que ninguém se incomode... nem se importe.

Hoje

Às vezes é tão vazia
a vida
adulta.

o corredor sem brinquedos,
na casa
tardia.

Natal sem magia,
surpresa,
segredos…


e os desejos continuam,
tantos.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Espero que vejas algo além,
Quando não houver mais o aquém exposto.
Tudo o que sabias será nada,
Diante da tela rota, violada pela vida
Partida.

Mas, se ainda assim ficares,
Olhos claros, ralos, esparsos na superfície,
Que ouças, sintas, intuas, que seja...
As melodias que vibram somente aos que seguem
Além, do que aparenta ser tudo.

Andrea
30/10/2008

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Link


Há um link para flores, na fresta entre o caderno de economia e as ofertas de emprego.
Se puder, clique e dissolva-se no ar orvalhado das primeiras manhãs, molhando as pontas dos cabelos nas pétalas frescas.
Se não houver tempo, salve agora nos favoritos e retorne... breve e sempre.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Tripartida


Enquanto entro no ônibus das sete, você permanece na casa cinco e ela presa no vão dos tacos, soltos, do corredor de entrada... ou de saída?

Para onde, se qualquer saída nos leva à entrada de um prédio incompleto: paredes dão para portas, entre janelas semi-cerradas, curvas em que derrapa-se a 100 quilômetros por hora.

O asfalto é escorregadio, a areia profunda e a terra é lama do que poderia ter brotado, de tanta semente jogada a céu-concreto.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

"You, who was born..."

You, who was born for poetry’s creation,
Do not repeat the sayings of the ancients.
Though, maybe, our Poetry, itself,
Is just a single beautiful citation.

Anna Akhmatova
1556

Translated by Yevgeny Bonver, July, 2002
Edited by Tatiana Piotroff, September, 2002
http://www.poetryloverspage.com/poets/akhmatova/you_who_was_born.html

terça-feira, 7 de agosto de 2007

À mulher que fica

Amanhã não serás mais a mesma.
Muda, caminharás em retorno a um ponto impreciso,
Onde jazem sonhos desidratados.

Incerta, seguirás marcas, sinais e promessas
Perdidas. (Anéis não gravados, poemas canhotos, porcelanas frias)
Emaranhado de vias obstruídas.

Minha querida e futura esquecida,
Não há mais nada a ser reencontrado.
Por você, vivi sempre em estado de alerta, tateando palavras e gestos elípticos, nada que pudesse tocá-la ou feri-la ...

Mas tua pele é branca, frouxa de seda antiga.
Nos metais de hoje, não resistes mais.


Andrea
07 de agosto de 2007

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Infância II

Rasguei o tule.
Do tutu, voaram penas,
pequenas bailarinas
rodopiando ao vento.

Segui-as
floridas por sobre a estante,
mutantes pétalas-gira,
com pombas de cristal dançante.

[...]

Por trás da tv antiga, a caixa retangular preta guarda mornos segredos.
Favor não tocar com as mãos úmidas.


Andrea
2007

Memórias de Olivetti

O que havia de seu naquele instante de papel, rasgava-se a cada tipo, grafado em preto. Era como se o texto do outro, entreposto aos seus pontos finais, sobrepusesse suas conclusões, apagassem seu recomeço, manchassem sua palavra, última. Ponto parágrafo contravenção.
As fibras das folhas se desmachavam, borradas sob a tinta seca e imprecisa do metal. Foscas chispas pigmentadas a pó, da fita pro ferro à força: papel.
Da margem ao espaço derradeiro, nenhum registro. Só raspas de letras-sur-letras negridas de luto.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Infância

Não foi sempre assim.

Tinha fruta no galho,
Goiaba na bacia de alumínio
no quintal,
brincar de piscininha...

Água cristalina,
entre as sombras das folhas
do abacateiro,
escorria marrom pelo chão
de terra e cimento.

Eu ouvia o vizinho:
Meninos
brincando gritam.
Saudades...

Eu era sozinha.


2007

Saída

Torço pelo dia. Passe, desintegre-se. Deixe-me ir a outros planos, outras formas e cenários.
Novas sonoridades nas bocas da pessoas, cheiros desconhecidos, hábitos que ainda não me habitam. Não mais.

2007

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Sexta-feira

Da chuva que passou ficou o tempo.
Seco, só e nu, nenhum lamento.
No asfalto a borracha canta os freios.
Cheiro de queimado, solo, negro.

Dentro, a poesia ficou muda,
Tonta de cinzentos ares mofos.
Vozes que se calam, fogem gritos
Dia de silêncio, tédio em luto.

E se fossem vivas só palavras?
Doces, melodias em sussurros.
Toques, fossem sempre, gentilmente
Quentes, 32 graus, pele nua.

Lá ia eu dizer já que te amo.
Ia em ti amar de mil maneiras.
Pena que o que eu sei já não me engana.
Morre na poeira ao fim do dia.



2004

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Amor: de 20 a 30.

Não me venha com angústias
Embrulhadas pra presente.
Tenho as minhas,
Tem as suas.

Não me sirva carências
Em bandeja de prata:
Tenho-as na despensa,
Em conserva.

Leve daqui suas feridas:
Não as abri, nem as curei.
Use alvejante pra lavar seu sangue
da minha pele branca.

Meu beijo: antisséptico bucal.
Meu coração: do freezer ao microondas
Mas não pra você.
Só pra você.

2001

Quererê

Quero muito ...
E de ti, por querer tanto,
Quero sim, quero mais ...
Se não outros.

Vou querendo e que tanto quero ...
Desespero em desquerer ter,
Saber ser,
Sem crer.

Desquerendo o que em mim queria,
Desembrulho outras de mim:
As que nunca quiseram sempre,
As que querem se for para bem.

Meus quereres,
Os quero longe:
não cabem em mim.




2007

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Sabatina

Era sábado,
Sem sombra de dúvida.
Tão sábado quanto poderia ter sido
Um dia de promessa.

Sem velas:

Aos sábados,
Só preces veladas,
Procissões profanas,
Aos santos sem votos.
Pedidos perdidos,
Rosário de contas
De cristal barato,

Sextavado.

Era um sábado,
Como todos os outros:
Cotidiano,
Reinventado.
De pecados remissíveis,
Condenáveis
Em quaisquer
Não-sábados.

Aos amores sabatinados,
Naquela pré-noite de sábado,
Oro aos domingos:

Alívio.



2007

segunda-feira, 23 de abril de 2007

De novo, Vinícius.


Acabei de assistir ao documentário "Vinicius". Lindo, simples, despretensioso, raro, como Vinicius. Pra celebrar:

POÉTICA

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


Vinicius de Moraes
Nova York, 1950

In: Nova Antologia Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

 
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