De hoje até 3 de setembro vou estar por aí, ainda não sei bem onde, mas longe do trabalho e do acesso aos "Diálogos e Intertextos". Espero, na volta, ter boas novas pra contar.
Beijos a todos e até ;-)
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Liberdade vigiada
Postado por
Andrea
às
11:47
1 comentários
Marcadores: Férias
terça-feira, 21 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Eu
Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneos de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres
oblíquas
só
soluçando eu avanço por vias que se entrecruz-
ilham
à vista
de cruci-
fixos
polícias
Maiakóvski
1913
(Tradução de Haroldo de Campos)
CAMPOS, A. de, CAMPOS, H. de, SCHNAIDERMAN, B. "Poesia russa moderna". São Paulo: Perspectiva, 2001.
Postado por
Andrea
às
07:06
0
comentários
Marcadores: poesia russa
Nacos de Nuvem
No céu flutuavam trapos
de nuvem - quatro farrapos:
do primeiro ao terceiro - gente;
o quarto - um camelo errante.
A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.
Do seio azul do céu, pé-ante-
pé, se desgarra um elefante.
Um sexto salta - parece.
Susto: o grupo desaparece.
E em seu rasto agora se estafa
o sol - amarela girafa.
Maiakóvski
1917-1918
(Tradução de Augusto de Campos)
CAMPOS, A. de, CAMPOS, H. de, SCHNAIDERMAN, B. "Poesia russa moderna". São Paulo: Perspectiva, 2001.
Postado por
Andrea
às
06:36
0
comentários
Marcadores: poesia russa
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
"You, who was born..."
You, who was born for poetry’s creation,
Do not repeat the sayings of the ancients.
Though, maybe, our Poetry, itself,
Is just a single beautiful citation.
Anna Akhmatova
1556
Translated by Yevgeny Bonver, July, 2002
Edited by Tatiana Piotroff, September, 2002
http://www.poetryloverspage.com/poets/akhmatova/you_who_was_born.html
Postado por
Andrea
às
09:16
0
comentários
Marcadores: Poesia
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Existe "eu" fora do texto?
Acabei de ler uma matéria na Folha Online, sobre um autor polonês que se tornou suspeito de um crime ainda sem solução, ocorrido há mais de 5 anos, por causa de seu livro "Amók", no qual ele narra detalhes desse assassinato que, segundo o investigador, eram de conhecimento apenas da polícia e, certamente, do próprio assassino. A questão apontada na matéria é se ele realmente resolveu descrever seu crime perfeito, por orgulho ou algo do gênero, ou se apenas se utilizou das informações veiculadas pela mídia e foi além, criando situações fictícias que coincidem com os fatos reais levantados e conhecidos somente pela polícia.
A minha questão é a seguinte: até que ponto a visão dos investigadores, a análise dos indícios encontrados no estudo do caso, faz parte do real ou da ficção, já que tudo sobre o que a mente humana se debruça só pode ser entendido por ela por meio de interpretação?
Outro ponto a considerar é a dimensão ocupada pelo autor no universo textual criado por ele. Num estudo de teoria literária, o autor a ser analisado por meio de seu texto, pela investigação da voz autoral, nunca é uma "pessoa-em-si", existente fora do texto, mas sim, uma categoria narrativa, chamada de "autor secundário", por Bakhtin.
É muito fácil e raso interpretar um texto literário como autobiográfico a priori, fazer conexões entre a vida do autor e as vidas criadas por ele em seu texto. Não sei se o autor de "Amók" é culpado ou inocente e espero que os investigadores saibam como chegar à solução desse crime, mas sei que nós, leitores e escritores, não podemos ser inocentes ao olhar para o texto literário apenas como espelho do autor. Muito mais que refletir a vida, a literatura cria vidas.
Postado por
Andrea
às
07:05
0
comentários
Marcadores: Literatura
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Anna Akhmatova
Descobri, por acaso, um poema de Anna Akhmatova chamado "Ele gosta...", de 1910, e queria muito saber de que livro ele faz parte. Se alguém tiver uma dica, por favor, acene ;-)
Postado por
Andrea
às
13:22
4
comentários
Marcadores: Literatura
À mulher que fica
Amanhã não serás mais a mesma.
Muda, caminharás em retorno a um ponto impreciso,
Onde jazem sonhos desidratados.
Incerta, seguirás marcas, sinais e promessas
Perdidas. (Anéis não gravados, poemas canhotos, porcelanas frias)
Emaranhado de vias obstruídas.
Minha querida e futura esquecida,
Não há mais nada a ser reencontrado.
Por você, vivi sempre em estado de alerta, tateando palavras e gestos elípticos, nada que pudesse tocá-la ou feri-la ...
Mas tua pele é branca, frouxa de seda antiga.
Nos metais de hoje, não resistes mais.
Andrea
07 de agosto de 2007
Postado por
Andrea
às
07:47
2
comentários
Marcadores: Poesia
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Boris Schnaiderman e a vida no sentido mais feliz do termo.
Acabei de ouvir na Rádio Itaú Cultural www.itaucultural.org.br um programa de 30 minutos com Boris Schnaiderman, contando sua vida desde o nascimento, na Ucrânia, até seus dois últimos livros, ainda inéditos e que serão publicados em breve.
O professor Boris é um dos responsáveis por minha paixão pela literatura russa: ele é o tradutor de vários livros de Dostoiévski e, em especial, de "O eterno marido", o livro que eu trabalhei no mestrado. Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, tenho um carinho especial e uma admiração enorme por seu trabalho de difusão da literatura russa no Brasil.
Vale a pena ouvir o programa e conhecer um pouco dessa linda história de vida.
Postado por
Andrea
às
12:01
0
comentários
Marcadores: Dica
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Infância II
Rasguei o tule.
Do tutu, voaram penas,
pequenas bailarinas
rodopiando ao vento.
Segui-as
floridas por sobre a estante,
mutantes pétalas-gira,
com pombas de cristal dançante.
[...]
Por trás da tv antiga, a caixa retangular preta guarda mornos segredos.
Favor não tocar com as mãos úmidas.
Andrea
2007
Postado por
Andrea
às
06:39
0
comentários
Marcadores: Poesia
Memórias de Olivetti
O que havia de seu naquele instante de papel, rasgava-se a cada tipo, grafado em preto. Era como se o texto do outro, entreposto aos seus pontos finais, sobrepusesse suas conclusões, apagassem seu recomeço, manchassem sua palavra, última. Ponto parágrafo contravenção.
As fibras das folhas se desmachavam, borradas sob a tinta seca e imprecisa do metal. Foscas chispas pigmentadas a pó, da fita pro ferro à força: papel.
Da margem ao espaço derradeiro, nenhum registro. Só raspas de letras-sur-letras negridas de luto.
Postado por
Andrea
às
06:16
0
comentários
Marcadores: Poesia