Parece que a minha lição, pra 2010, será aprender a dar o valor real à vida, aos objetos e às experiências, de uma forma geral. A introdução a esse aprendizado se deu, sugestivamente, na passagem do ano. Meu marido e eu, já acostumados a passar o Reveillon tranquilamente, sempre em casa, decidimos fazer diferente e nos juntamos a um grupo de amigos num sítio alugado em Cunha, interior de São Paulo. Como todo mundo sabe, as chuvas alagaram toda aquela região e nós ficamos ilhados, sem ter como tirar os carros e as bagagens de lá. No dia 2, pegamos meu cachorro, a câmera, o livro que eu estava lendo (Casa Grande e Senzala), a bolsa com dinheiro e documentos, água e estávamos prontos pra passar pelo que sobrou das pontes de madeira, enfiar o pé no barro e contar com a solidariedade de amigos, que nos buscaram no trecho liberado da estrada e nos levaram até a rodoviária de Guará, e de desconhecidos que pareciam surgir como anjos sempre que algum imprevisto aparecia.
Chegamos em casa todos bem, cansados, mas tranquilos. Menos de uma semana depois, já pudemos voltar para buscar os carros e as malas, sabendo que as “coisas” realmente fundamentais eram aquelas que já tinham seguido pra casa com a gente.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
O Romance

Maravilhoso lançamento da Cosac Naify, o primeiro volume da coleção "O Romance", organizada por Franco Moretti. Formada por 5 volumes (1- A cultura do romance; 2- As formas; 3- História e geografia; 4- Temas, lugares, heróis; 5- Lições), a coleção reúne ensaios, análises e críticas escritas por grandes nomes. Terminei de ler o belíssimo primeiro ensaio do volume 1, "É possível pensar o mundo moderno sem o romance?", do Vargas Llosa e recomendo. Espero que a Cosac lance os outros 4 volumes em breve.
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Marcadores: Dicas de leitura
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Há vozes que não calam, nem falam
Mais.
Exprimem ecos, secos e sós.
Há dias que não sinto na minha própria voz os ecos da sua, da nossa
Voz.
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18:39
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domingo, 26 de julho de 2009
Sobre televisão
"Capitu" e "Som & Fúria" foram as melhores minisséries que assisti na TV pública nos últimos anos. Em ambas, a estética teatral dá o tom de originalidade às produções, fazendo com que o olhar cansado do telespectador desperte para novas cores, uma outra profundidade e ângulos não tão óbvios. Flashes de realidade fantástica sacudindo as narrativas domesticadas da linguagem televisiva.
Em relação à "Capitu", que conseguiu manter-se rigorosamente fiel ao texto machadiano, revelando o quão atual essa literatura se mantém diante da percepção fragmentada da pós-modernidade, me chamou atenção a idiotice com que certos "críticos" a avaliaram. Diogo Mainardi foi um dos que usou um espaço privilegiado na mídia, uma página na Veja, para acusar a minissérie de desvirtuar a obra machadiana, de violar Machado de Assis e Dom Casmurro, como se autor e obra fossem mitos sagrados e, portanto, não passíveis de leituras profanas. Para mim, ao contrário do que pensa Mainardi, uma obra importante, seja a de Shakespeare, a de Machado, ou a de Ana Cristina César, deve ser lida e relida sob formas e olhares novos, contraditórios, questionadores, em qualquer tempo. Nada de congelar textos e olhar para eles como símbolos do passado. A obra só se mantém viva pelo olhar do leitor ou, do telespectador, do internauta, de quem quer que possa ter acesso a ela pelas mais diversas formas.
"Som & Fúria" fez algo semelhante com Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta. Não os tirou dos grandes palcos, não os deixou menores, apenas trouxe fragmentos de Shakespeare para as telinhas caseiras (e com grande sensibilidade artística e técnica).
Torço para que produções como essas, nas quais a grande literatura pode chegar a um vasto público, sejam cada vez mais frequentes na TV pública brasileira.
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Andrea
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20:59
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