terça-feira, 31 de julho de 2007

Antonioni, além das nuvens


Eu assisti a "Além das Nuvens" em 1995 ou 96, não me lembro da data exata, no Espaço Unibanco de Cinema, na Augusta. Apesar de saber que o filme era do Antonioni, me interessei mais por ser resultado de uma parceria com o Win Wenders, que eu já conhecia e adorava. Foi em "Além das Nuvens" que eu vi uma das cenas mais bonitas do cinema. A chegada, por mar, a Portofino, na costa da Ligúria - parecia uma imagem de cartão postal ganhando vida, lentamente, com a câmera se aproximando e revelando a cidade como que pelo olhar de um viajante, extasiado pela beleza increditável do lugar.
As cenas gravadas depois que a câmera já entrou na cidade, as ruelas estreitas e sinuosas, cercadas por muros cobertos de hera, nunca mais me deixaram. E até agora, passados mais de 10 anos, a lembrança é tão forte como se eu tivesse, realmente, andado por elas - caminhos orgânicos, úmidos, vivos.
Li que Antonioni morreu, ontem, aos 94 anos, em Roma. Seu corpo será sepultado em Ferrara, sua cidade natal. De sua rica filmografia, só conheci "Além das Nuvens"... mas as cenas que ficaram dele, de todos os filmes que vi, são as que permanecem mais vivas no meu coração.
A Antonioni, além das nuvens, as mais belas e vivas imagens, sempre.

A foto do porto de Portofino é de Stan Shebs, disponibilizada para uso livre na página da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Portofino_harbor_right.jpg

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Impressões do XI Encontro da Abralic

Gostei muito do último encontro da Abralic, principalmente da conferência da Leyla Perrone-Moisés, sobre a crise do ensino da literatura na França, e de todo o simpósio sobre literatura russa.
Vou organizar minhas anotações, durante o final de semana, e até a próxima terça-feira acho que consigo postar aqui alguns dos pontos levantados.
Só pra adiantar, deixo a frase de Sartre, citado por Leyla Perrone no encerramento da sua fala:
"O mundo pode passar muito bem sem a literatura. Mas pode passar muito melhor sem o homem".

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Planos de vôo e de vida

A cada acidente, quantos planos acalentados neste plano se esfacelam no arremesso das consciências para outros planos, nos quais aqueles planos se desintegram? Talvez... ou morrem na inconsciência de quem os carregava, passando a viver apenas como memória nas consciências dos que ficam, neste plano, órfãos dos planos dos outros, em planos outros.

Em cada invólucro móvel ou estático - em vias aéreas, terrestres, marítimas -, milhares de sonhos vibram em vida, preciosa, frágil substância, que se enforma na lírica da poesia cotidiana e se desfaz, absurdamente, em prosa trágica.


19 de julho de 2007

terça-feira, 17 de julho de 2007

Sonho

Não há como ser feliz vivendo entre seres que jogam bebês no lixo, abandonam cachorros velhos, velhos doentes, agridem gatos, matam... sem razão. Meu sonho era viver num mundo onde nunca houvesse um animal abandonado, nenhum velho jogado num banco de praça.

terça-feira, 10 de julho de 2007

De 23 a 25 de julho acontece o XI Encontro da ABRALIC - Associação Brasileira de Literatura Comparada, lá na FFLCH/USP. Quem quiser saber mais, vale uma olhadinha no site www.abralic.org.br

 
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