terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Romance


Maravilhoso lançamento da Cosac Naify, o primeiro volume da coleção "O Romance", organizada por Franco Moretti. Formada por 5 volumes (1- A cultura do romance; 2- As formas; 3- História e geografia; 4- Temas, lugares, heróis; 5- Lições), a coleção reúne ensaios, análises e críticas escritas por grandes nomes. Terminei de ler o belíssimo primeiro ensaio do volume 1, "É possível pensar o mundo moderno sem o romance?", do Vargas Llosa e recomendo. Espero que a Cosac lance os outros 4 volumes em breve.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Febre, calafrios e puxadas de arquivos semimortos.

Há vozes que não calam, nem falam
Mais.
Exprimem ecos, secos e sós.

Há dias que não sinto na minha própria voz os ecos da sua, da nossa
Voz.

domingo, 26 de julho de 2009

Sobre televisão

"Capitu" e "Som & Fúria" foram as melhores minisséries que assisti na TV pública nos últimos anos. Em ambas, a estética teatral dá o tom de originalidade às produções, fazendo com que o olhar cansado do telespectador desperte para novas cores, uma outra profundidade e ângulos não tão óbvios. Flashes de realidade fantástica sacudindo as narrativas domesticadas da linguagem televisiva.
Em relação à "Capitu", que conseguiu manter-se rigorosamente fiel ao texto machadiano, revelando o quão atual essa literatura se mantém diante da percepção fragmentada da pós-modernidade, me chamou atenção a idiotice com que certos "críticos" a avaliaram. Diogo Mainardi foi um dos que usou um espaço privilegiado na mídia, uma página na Veja, para acusar a minissérie de desvirtuar a obra machadiana, de violar Machado de Assis e Dom Casmurro, como se autor e obra fossem mitos sagrados e, portanto, não passíveis de leituras profanas. Para mim, ao contrário do que pensa Mainardi, uma obra importante, seja a de Shakespeare, a de Machado, ou a de Ana Cristina César, deve ser lida e relida sob formas e olhares novos, contraditórios, questionadores, em qualquer tempo. Nada de congelar textos e olhar para eles como símbolos do passado. A obra só se mantém viva pelo olhar do leitor ou, do telespectador, do internauta, de quem quer que possa ter acesso a ela pelas mais diversas formas.
"Som & Fúria" fez algo semelhante com Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta. Não os tirou dos grandes palcos, não os deixou menores, apenas trouxe fragmentos de Shakespeare para as telinhas caseiras (e com grande sensibilidade artística e técnica).
Torço para que produções como essas, nas quais a grande literatura pode chegar a um vasto público, sejam cada vez mais frequentes na TV pública brasileira.

Escrevi, dias e dias, uma história pra você. Pintei fadas, toquei sinos, perfumei cartas de papel marfim.
Tudo estava lindamente certo. Eram sonhos cinematograficamente enredados, cenas perfeitas, ângulos de esteta. A trilha, clinicamente composta, fazia as vezes de vozes harmônicas, sibilantes confessas de um amor inefável.
Já era noite quando coloquei o ponto final ao happy end.

Na manhã seguinte, sobraram meias palavras e um restinho de verdade entre os recicláveis.



Andrea
27/07/2009

 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.