terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Na valise de Cortázar

Estou tardiamente descobrindo Cortázar, sempre tão citado mas ainda novo para mim. Comecei ontem à noite, pela página 227 de "Valise de Cronópio", no ensaio "Do conto breve e seus arredores". Já armada de disposição e coragem para superar as possíveis dificuldades do primeiro contato com o pensamento cortaziano, acabei me deliciando com um texto brilhante, não só pela complexidade das idéias, mas pelo talento expressivo, pelo tom carismático e humorado que permeia a linguagem do autor, dando leveza, relevo e lindas cores a raciocínios complexos sobre criação literária.
Adoro a descrição que Cortázar faz do estranhamento, de um posicionamento além da normalidade, que o autor assume no ato da criação de um conto. A postura do narrador, como uma das personagens, contando uma história que interessa, em primeiro lugar, aos habitantes do universo da exegese, do vida vivida no texto, me lembra muito os conceitos de autoria de Bakhtin, do autor que atua não como Deus, mas como um organizador de consciências equipolentes, autônomas e inacabadas (enquanto seres vivos).
Eu estou amando Cortázar e devo continuar, esta noite, mergulhando na "Valise de Cronópio". Recomendo!

CORTÁZAR, Julio. "Valise de Cronópio". São Paulo: Perspectiva, 2006.

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