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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Eu

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneos de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se entrecruz-
ilham
à vista
de cruci-
fixos

polícias

Maiakóvski
1913
(Tradução de Haroldo de Campos)
CAMPOS, A. de, CAMPOS, H. de, SCHNAIDERMAN, B. "Poesia russa moderna". São Paulo: Perspectiva, 2001.

Nacos de Nuvem

No céu flutuavam trapos
de nuvem - quatro farrapos:

do primeiro ao terceiro - gente;
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.

Do seio azul do céu, pé-ante-
pé, se desgarra um elefante.

Um sexto salta - parece.
Susto: o grupo desaparece.

E em seu rasto agora se estafa
o sol - amarela girafa.


Maiakóvski
1917-1918
(Tradução de Augusto de Campos)
CAMPOS, A. de, CAMPOS, H. de, SCHNAIDERMAN, B. "Poesia russa moderna". São Paulo: Perspectiva, 2001.

 
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