quinta-feira, 5 de abril de 2007

Bakhtin: teoria da prosa em forma de poesia


Quanto mais leio Bakhtin, mais me impressiona a poesia da sua escrita teórica. Alguns trechos inspiradores:

"A vida e a arte não devem só arcar com a responsabilidade mútua mas também com a culpa mútua. O poeta deve compreender que a sua poesia tem culpa pela prosa trivial da vida, e é bom que o homem da vida saiba que a sua falta de exigência e a falta de seriedade das suas questões vitais respondem pela esterilidade da arte." (2003, p. XXXIII)

"Quantos véus necessitamos tirar da face do ser mais próximo - que nela foram postos pelas nossas reações casuais e por nossas posições fortuitas na vida -, que nos parecia familiar, para que possamos ver-lhe a feição verdadeira e integral. A luta do artista por uma imagem definida da personagem é, em um grau considerável, uma luta dele consigo mesmo." (2003, p. 4)

“Não existe a primeira nem a última palavra, e não há limites para o contexto dialógico (este se estende ao passado sem limites e ao futuro sem limites). Nem os sentidos do passado, isto é, nascidos no diálogo dos séculos passados, podem jamais ser estáveis (concluídos, acabados de uma vez por todas): eles sempre irão mudar (renovando-se) no processo de desenvolvimento subseqüente, futuro do diálogo. Em qualquer momento do desenvolvimento do diálogo existem massas imensas e ilimitadas de sentidos esquecidos, mas em determinados momentos do sucessivo desenvolvimento do diálogo, em seu curso, tais sentidos serão relembrados e reviverão de forma renovada (em novo contexto). Não existe nada absolutamente morto: cada sentido terá sua festa de renovação. Questão do grande tempo.” (2003, p. 410)


Para ler mais:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vou procurar esse livro aí. Valeu a dica...B's

Anônimo disse...

Essa dica chegou na hora. Valeu!!!!!

 
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