Da chuva que passou ficou o tempo.
Seco, só e nu, nenhum lamento.
No asfalto a borracha canta os freios.
Cheiro de queimado, solo, negro.
Dentro, a poesia ficou muda,
Tonta de cinzentos ares mofos.
Vozes que se calam, fogem gritos
Dia de silêncio, tédio em luto.
E se fossem vivas só palavras?
Doces, melodias em sussurros.
Toques, fossem sempre, gentilmente
Quentes, 32 graus, pele nua.
Lá ia eu dizer já que te amo.
Ia em ti amar de mil maneiras.
Pena que o que eu sei já não me engana.
Morre na poeira ao fim do dia.
2004
Cêra Isa
Há 8 anos
3 comentários:
Olá Andrea, a chuva sobre a terra seca tem chances de fertilizar o amor... Lindo! Abraços.
Deve ser curioso, pra quem escreve, ver o que as suas palavras despertam naquele que lê...criando uma nova vida pra poesia, as vezes tão próxima do início...as vezes tão longe.
Ravs, é muito legal saber como as pessoas lêem o que escrevo, porque é bem o que vc colocou: o texto ganha vida própria, novas leituras, novos significados.
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